quarta-feira, janeiro 9

Um preconceito a menos

Eu tenho muitos, talvez menos um pouco que algumas pessoas, mas tenho sim meus preconceitos. E não vou suavizar dizendo que são pré-conceitos, e que isso é legítimo, não. Mas ontem eu deixei de ter um deles, e confesso que me sinto bastante aliviado.

Sempre fui o primeiro a apontar o dedo, ridicularizar, fazer chacota, rir alto da cara de quem consome conteúdo de auto-ajuda. Fazia questão de bradar em alto e bom tom o quanto considerava as pessoas fracas e idiotas por consumirem, gostarem desse tipo de conteúdo. Livros, filmes, palestras, panfletos, qualquer coisa de auto-ajuda eu considerava nada menos do que execrável. Baita palavra forte, né? Tudo isso até ontem.

Por um capricho do destino, encontrei um vídeo cujo título me chamou fortemente a atenção, e eu assisti inteirinho, curti, comentei e compartilhei. É que não tinha nenhuma outra forma pra expressar o quanto gostei daquele vídeo, senão o teria feito. Na verdade tinha, tanto que vim fazer este post.

Lá pelas tantas do vídeo, que tinha sei lá uns 15 minutos, eu me toquei: estou gostando de um vídeo de auto-ajuda. Daí naveguei pelo site do autor e seu canal no Youtube, li um monte de outros conteúdos, vi outros vídeos, e fui lendo, lendo, vendo, assistindo, e gostando! Estava, de fato, sendo um conteúdo de enorme utilidade pra mim. Favoritei o site, pra vocês terem uma noção.

De noite, já em casa, deitado na cama, vendo tv mas ainda digerindo aquele monte de conteúdo de auto-ajuda, concluí que minha presunção em não aceitar intimamente a idéia de ser fraco porque preciso de ajuda, me atrapalhava. E não atrapalhava pouco. Me caiu a ficha que o simples fato de entender que preciso de ajuda para resolver um problema não me torna fraco, inferior, ou me desmerece enquanto pessoa. O que me diminui é permanecer no pedestal de dono da razão, "poderosão", que não precisa de nada nem ninguém. E me diminui porque me afasta das pessoas pelas quais tenho tanto amor e apreço.

Vejam: não estou dizendo que o conteúdo de auto-ajuda resolve, por si só, os problemas de ninguém. Não cura depressão, não traz o amado em 7 dias, não te salva da falência, não te torna mais feliz. Mas se tem uma coisa que esse conteúdo pode fazer por você é jogar na sua cara que o que você julga insolúvel, na verdade pode não ser. Na pior das hipóteses ele vai te surpreender sobre como é possível explicar de forma clara aqueles sentimentos tão complexos e semi-indecifráveis que você tanto tem dificuldade em expressar. Foi exatamente isso que aconteceu comigo.

Então queridos, vim registrar que nunca mais farei piada sobre esses assuntos de auto-ajuda. E sempre darei uma chance a este recurso sempre que eu conseguir entender que sou maior que os meus problemas.

8 comentários:

Amanda M. disse...

Eu também cultivei o mesmo preconceito durante anos a fio...até perceber, bem aos poucos, que assumir uma fragilidade é que era força. Enfim, ainda faço uma "análise do discurso" e leio/assisto muita coisa ruim, clichê, muita coisa descartável, mas há sim, coisas também boas neste filão que transformou-se essa categoria, a tal de auto-ajuda. De qualquer forma, bateu-me uma curiosidade, que vídeo foi este, que te tocou?rs Beijos

O Mordomo disse...

Mme Amanda M, de fato é preciso separar o joio do trigo quando procurando este tipo de literatura. Não entrei no mérito de analisar a qualidade do que foi dito no tal vídeo, mas o fato é que explicou de maneira tão clara o que sinto, sobre vários dos tópicos abordados, que fiquei refém de mim mesmo, entende? Simplesmente não consegui criticar. E, obviamente gostei né... me identifiquei. Enfim...

Entendo sua curiosidade, e o vídeo é este aqui: http://www.renatocardoso.com/blog/2012/11/21/5-coisas-que-o-marido-espera-da-mulher/

lili cheveux de feu disse...

Quem acha que o Mordomo deveria escrever mais posts, põe o dedo aqui!

[Olha, eu estou mais ou menos como tu, lendo um livro que ganhei e curtindo]

Dedé disse...

Ah! Eu voto pro mordomo escrever mais :) aliás, pra todo mundo escrever mais! :)

Mas mordomo, muita gente, mas muita gente mesmo tem preconceito com auto-ajuda. Acho que é pq no meio tem algumas coisas bem ruins. Mas isso não significa que a gente pode generalizar. Enfim, acho que o que importa é que vc reconheceu algo que te fazia mal e pode, a partir de agora, mudar.

Beijos!

O Mordomo disse...

Obrigado mme Dedé e mme Lili.

Vivendo, aprendendo, e melhorando :)

Anônimo disse...

Também voto pro mordomo escrever mais!

Todos precisamos de ajuda e há várias maneiras de obtê-la. É reconhecendo nossas "fraquezas" que conseguimos evoluir.

Anônimo disse...

Achei esse vídeo bem machista.

Assim realmente é possível um casamento sem nenhuma briga e com um marido muito feliz. Mas o buraco é mais embaixo. A mulher tb tem necessidades que muitas vezes não são supridas pelo marido. Daí, não dá pra ficar com medo de reclamar. Acho que a paz e a felicidade verdadeira do casal só são possíveis se os dois conseguirem viver entrando em ACORDOS. Senão a mulher vive em função do cara, insatisfeita.

Cara, eu mesma sou uma que vestia uma camisola nova, me perfumava, mas o marido só queria saber de janta pronta. Só me procurava quando ele queria liberar a tensão dele. E não sou feia. Isso foi conversado com ele e ele melhorou, mas sem conversa seria impossível manter o casamento, pois além de tudo ele não fazia nada dentro de casa pra ajudar e eu trabalho fora. A mãe dele sempre colocou td nas mãos. Quando éramos só namorados ele estava com o pé sujo deitado na cama e ela veio com um pano molhado e uma bacia pra limpar os pés dele. Eu fiquei chocada, mesmo assim, não caí na real e casei. Nosso primeiro ano foi um inferno de brigas pq ele não colaborava com nada, com muita conversa, paciência e reflexão ele mudou bastante. Não está um príncipe, mas agora é possível ser feliz só pq ele entendeu que ele precisa se esforçar pelo casamento, não sou só eu quem deve fazer os sacrifícios.

marcelo disse...

E qual é o nome do video, mordomo?? O povo quer saber!!