segunda-feira, dezembro 26

Jingle Bells

Tenho, nos últimos anos, lutado desesperadamente para acabar com qualquer traço de tradição, de receita de fim de ano, de ritual. É uma coisa praticamente impossível! Por mais que a gente decida encarar esse período como um outro qualquer, os horários especiais, os engarrafamentos, as lojas lotadas, a corre-corre, a decoração ridícula, os amigos-secretos, as confraternizações... tudo está aí para garantir que nós não vamos passar incólumes por dezembro. Esse ano me reuni com minha família - a família completa não fazia isso há cinco anos. Foi até uma iniciativa minha mesmo - fazia tempo que não via meu irmão e meu sobrinho mais novo, o ano chegou ao fim... Pensei - porque não aproveitar e juntar mamãe, a outra irmã, sobrinhos... e assim fizemos. É duro reconhecer, gente, mas não - não foi bom. É melancólico, muito do tempo que poderia ser aproveitado com passeios, conversas, risadas e brincadeiras é perdido em lojas lotadas, engarrafamentos, preparativos absurdos para uma ceia absurda, é uma tarde inteira assando carne, arrumando casa, debaixo de um calor horroroso, não há bom humor que sobreviva. A dinâmica familiar fica estranha, os nervos à flor da pele, sei lá. E no dia seguinte, lava um caminhão de louça, limpa tudo, encara aquelas sobras, aquele monte de comida desperdiçado... Comidas, aliás, que não combinam com o clima - castanhas assadas, rabanadas, frutas secas, farofa, sob um calor de mais de 30 graus, é dose! As crianças tão pequenas, só pensam em presentes, em coisas materiais, é um pouco deprimente - tão pequenos e tão consumistas... meu sobrinho mais novo sabia o que ia ganhar por causa da embalagem da loja - todos já são completamente ligados nessas coisas - não se pede mais uma bola, um foguete. É o foguete da marca tal, que vende na loja tal, que passa na propaganda do canal tal e que custa tanto. Assim mesmo, com todos os detalhes.

Natal ideal pra mim, foi o de uns dois anos atrás. Cheri e eu marcamos uma viagem, com vôo saindo no dia 25, às 6 da manhã. Recusamos todos os convites para ceia, encontros, porque no dia seguinte teríamos que acordar de madrugada e enfrentar uma longa viagem. Saímos no dia 24 à tarde, passeamos pela cidade, fotografamos os lugares vazios, com muita calma. Aí fomos pra casa, comemos algo normalzinho que eu mesma fiz, tomamos um vinho, vimos um DVD e antes da meia noite já estávamos na cama. Passamos o dia 25 viajando, chegamos ao destino no fim da tarde, até esquecemos que era Natal... o dia passou, e a partir do 26 tivemos uma semana deliciosa e calma... foi tão bom, tão melhor, tão mais genuíno... devia ser sempre assim, viu. Ah, se não fossem as pressões familiares!!

Não, amores... natal definitivamente não é a minha festa preferida. Não mesmo!

4 comentários:

Marcelo Freda Soares disse...

Compartilho tal sentimento.
http://www.diariodecanto.com/2011/12/natal-manha-seguinte.html

Guga disse...

Melhor foi aqui em casa: passei a noite toda assando um puta churrasco enqto meu pai e minha mãe ficaram a noite TODA pendurados no celular cumprimentando mil familiares distantes.
E meu irmão no violão, com as músicas melancólicas que só ele gosta [ou finge que gosta só pra irritar a gente].
Mereço?

Rose Foncée disse...

Ai, Guga, você pegou exatamente o espírito, viu... é sempre exatamente assim!!

Ana disse...

É necessário ter coragem para não ceder à pressão familiar e fazer o que realmente gosta. Esse ano não consegui, vou tentar no próximo ano. Quando não temos planos, os outros nos incluem em seus planos.