segunda-feira, maio 9

Se roubarem, roubaram... O que eu vou fazer? Não posso passar minha vida inteira segurando uma televisão na mão...



E foi com esse pensamento que a psicóloga gaúcha Debora Noal deixou suas coisas e foi trabalhar para o Médicos Sem Fronteiras. Aos 30 anos, ela já está em sua décima missão. Já esteve no Haiti, no Congo, na Líbia e no Quirguistão, trabalhando com pessoas em áreas de conflitos ou de grandes desastres. Pessoas que perderam tudo e que vivenciaram situações extremas de horror e violência.

Debora concedeu essa entrevista magnífica para a também magnífica Eliane Brum. É uma entrevista longa, emocionante, dolorosa e perturbadora. Imperdível, vale cada segundo da leitura. Além de nos apresentar uma vida fabulosa de escolhas excepcionais, nos faz pensar também em nossas motivações, nossos objetivos, na razão de ser de nossas próprias vidas.

O trabalho de Débora é dar conforto para pessoas que perderam tudo e que sofreram muito. Esse conforto pode ser fazer com que a pessoa enxergue alguma razão para viver, ou também dar a alguém alguma lembrança de um bom momento, um único que seja, em uma existência inteira, por meio de um abraço, um sorriso ou uma palavra carinhosa. E, incrível, como se não hovesse perigo, barreiras idiomáticas, riscos de violência ou perigo de morte, ela sempre consegue!

A leitura da entrevista não é fácil, devo avisar. Traz passagens de extrema dor e crueldade, mas ao mesmo tempo, traz um conforto paradoxal, por sabermos que ainda existem muitas Déboras pelo mundo. Gente que em um único dia talvez façam coisas muito mais relevantes do que a maioria das pessoas faz em uma vida inteira. Não é um tapa, não. É um murro. Mas um murro essencial.

Espetaculares as duas... a jornalista Eliane Brum que soube conduzir a conversa de maneira a extrair toda a grandiosidade do trabalho dos Médicos sem Fronteiras e a Débora Noal, que soube fazer da sua vida uma vida extraordinária.

5 comentários:

Lili Cheveux de Feu disse...

ela está RUIVA na foto, tsá?

Rose Foncée disse...

Tsá, Lilibeth, tsá... praticamente uma irlandesa... hahahaha.

Mari Biddle disse...

Quando eu terminei de ler a entrevista, me recolhi a minha insignificancia.

Parabéns para a Débora.

Anônimo disse...

Um soco nas nossas tolas convicções.

Guga disse...

O link tá aqui na minha to-do list, pra ler no fim de semana, pq né? é praticamente um livro.