segunda-feira, novembro 22

A canção de ninar quem me canta é ele.

Gente que trata a cabeça sabe que tudo que sai pela boca, mesmo de brincadeira, é por que de alguma forma e em algum momento passou pelo inconsciente. Vai daí que quando nos fazem perguntas sérias (a chave que abre o cofre da mente chama-se pergunta boa) respondemos de bate-pronto, por que esse primeiro pensamento é o que mais se aproxima do real, do que está escondido no inconsciente. Mesmo que depois o pensamento racional refine a resposta e encontre uma justificativa consciente que modifique aquilo dito de pronto anteriormente, sem a compreensão interna, a escolha racional posterior não se sustentará por muito tempo.

Semana passada Adelaide me perguntou: - Qual a melhor coisa da gravidez? De imediato veio a resposta: - Sentir, desde já, que ele é diferente de mim.
- E a pior?
- Meu coração batendo quase na garganta. Se fosse hoje a resposta seria as costas moídas.

Por que pra mim, saber que meu filho não é uma extensão de mim é participar do milagre da criação humana. Ele é ele. Ele vai ter seus gostos, suas vontades, suas preferências, seus medos, suas birras, seus anseios, suas conquistas e seus desgostos e nada disso será eu. Por que ele já é um outro ser, completamente independente de mim. Sim, nos primeiros anos de vida ele vai depender do meu cuidado, mas cuidar e amar não é formar um macaco de imitação. Amar é amar o outro na sua individualidade. Cuidar é cuidar do outro na sua individualidade. E descobrir, desde quando ele está dentro de mim (circunstancia momentânea e passageira) as suas particularidades é muito bom. Mesmo!

Por que pra mim, que tenho uma modesta coluna a sustentar 1,54m de altura e mais de 10 kilos adquiridos nos últimos 5 1/2 meses é doloroso fisicamente. Nada que eu não leve com o pé nas costas, mas é desconfortável. O volume de sangue em dobro e o peso extra fazem com que a circulação sanguinha desta gestante seja beeeeem mais lenta, donde os braços e as pernas formigam de vez em quando, o coração bate na garganta e a dor nas costas impede o sono. Como tudo na vida tem um preço, pra assitir o guri se tornar homem eu pago esse pequeno pedágio bem faceira.

8 comentários:

Ana Roberta disse...

chorei de feliz por ti.
(tô sensível mode on)

;)

Andrea Nunes disse...

Rose, lembrei de vir te contar, tem uma semana que a pequena, que completou dois meses, tem dormido das 22 hs até às 5/6 hs da manhã!!!!!

Rose Foncée disse...

Que bem, Andrea!!!! Esse tipo de notícia alenta o coração de uma mãe.

****

Calma que a tpm passa, tia Ana.

JMJr disse...

Rose,

De tudo o q vc falou, a única parte que eu posso me solidarizar é a dor nas costas...

Com certeza deve ter coisa bem pior, mas essa eu sei (por experiência própria) que ninguém merece. 24 horas por dia, 7 dias por semana a coisa incomoda. Não o suficiente pra sair berrando e pedir anestésico mas não deixa a gente parar de pensar nela... Claro que isso é quando ela (a dor) está de bom humor!

Ou vc acha que houve algum outro motivo para aquela prestatividade toda? Solidariedade move o mundo! Aliás, o jantar estava uótemo!

Fófis, paciência que tem data pra acabar e eu tô torcendo por vc aqui!

XOXO

Adelaide disse...

O que não presta, eu ensinarei....

Guga disse...

O que não presta, eu ensinarei [2].

Rose Foncée disse...

pois é, voc~es vão tentar. palavra com legitimidade só que tem sou eu. hahahahahahaha

Mari Biddle disse...

*muah procê e obrigada pelo texto. As vezes tem que alguém nos lembrar 'umas verdades'. (essa foi para mim).

bjkas