quinta-feira, julho 6


(lichtenstein. arte, daquelas que entendo, um pouco.)
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Eu quero amor feinho.Amor feinho não olha um pro outro.Uma vez encontrado, é igual fé,não teologa mais.Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo e filhos tem os quantos haja.Tudo que não fala, faz. Planta beijo de três cores ao redor da casa e saudade roxa e branca,da comum e da dobrada. Amor feinho é bom porque não fica velho. Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é: eu sou homem você é mulher. Amor feinho não tem ilusão,o que ele tem é esperança:eu quero amor feinho. Adélia, daquelas que amo, um tanto.
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eu acredito no claro futuro do equilibrista em cima do muro.
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[desespero] [6º retrato de desespero]

Não foi o fato de se amarem, ou saberem que nunca poderiam estar juntos. Não foi o vento do beiral da casa vazia, ou o ruído seco dos remédios dentro da garrafa de vidro marrom. Também não foi o gosto amargo com apenas uma caixa velha de vinho tinto para lavá-lo.

Não foi o fato de acordar com ela morta, enquanto você ainda estava vivo.

Foi a maneira como seus dedos tremeram, foi um gaguejar e o jeito da sua língua quando tentou falar. Foi o som das sirenes chegando mais perto. Foi saber que nunca mais você teria outra chance.
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como devermos contar o tempo, aquele que não passa? com quanta água faz-se um rio, mais ou menos sonhos que fazem um dia?
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inquietudes de um dia que não se quer janela e sim, chuva, mesmo.

4 comentários:

Anônimo disse...

simplesmente perfeito.
Parabéns. Há tempos não lia algo com tanto sentimento.

Obrigado.

Dita Von Claire disse...

neil gaiman, o cara dos quadrinhos.
é lindo né?

(ao todo são 15 desesperos. todos maravilhosos)

Joelma Terto disse...

inspirador, inspirações...
tu só tem que colocar as citações em itálico, minha fulô. :)
beijocas

Dita Von Claire disse...

xoxo quem nasce debora demora a ser joelma.

calma, bonita que um dia eu "aprende".