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segunda-feira, novembro 29

As motivações inconscientes na escolha do cônjuge

Me fazem pensar o que quem raios os filhos dessa senhoura de 47 anos vão escolher para namorar.

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Se eu fizer alguma coisa remotamente parecida alguém me interne antes do meu filho ver, tá.

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Aliás, desde que me conheço por gente defeco para o que pensem a meu respeito. Mas de uns tempos pra cá, tenho me dado conta de que nunca mais vou ser sozinha na vida.

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Muitos anos de tratamento levado a sério e você descobre que ela, a independência emocional, nunca está em liquidação. Depois que você paga o preço, ser sozinha é de uma leveza tranquilizante.

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E agora, que não posso ignorar que tudo o que eu fizer vai se refletir diretamente em todas as escolhas do meu filho, como é que fica a minha tão suada independência emocional?

quarta-feira, novembro 3

Gato escaldado foge correndo de pinguim.

No feriado, quando li que a Lily Allen tinha perdido seu garotinho com seis meses de gestação, me emprulhou o estômago, veio um frio na espinha e as pernas foram amolecendo devagarinho. O pavor ficou rondando por uns dois dias. Em alguns momentos, acho que tive medo até de respirar. Exatamente quando meu coração piava miudinho, meu filho resolvia jogar futebol. Ou ir pra rave uterina. Aqui nessa minha cabeça tratada que fica mapeando o inconsciente sempre que pode, passou o pensamento de que ele tava me dizendo: - Velha, não encana que tá beleza!

sexta-feira, agosto 6

Pra quem tem o original, a xerox nada vale.

Não consigo ficar nem 2 segundos assistindo a Cláudia Raia. Já tentei. Ela aparece e o controle remoto funciona na mesma hora. E a pessoa psicanalizada ficou pensando, por que diabos me irrita tanto?

Essa semana, numa cena que me irritou além do limite (ela foi chamar a filha com um mega fone, depois de abandonar o amante no meio da rua e sair bem louca entrando no primeiro caminhão que passou), fez-se a luz. Tato Cabus disse as palavrinhas magicas:

- Thaísa, a sua mãe é um manual de psiquiatria.

Plim!!!! A Cláudia Raia está interpretando a minha mãe. E perfeitamente igual. Super intensa, super exagerada, super invasiva, super controladora, super ciumenta, super extrovertidfa, super over.

terça-feira, julho 13

E como diria Maria Isabel, conjuge não é parente!

Anos atrás um colega perguntou a mim e a mais duas colegas (uma era mãe de uma menininha e a outra estava grávida de um menino) o que nós preferíamos: ter um filho gay ou um filho drogado? Involuntaria e imediatamente dei uma gargalhada. As outras ficaram se olhando e, depois de longos minutos, ambas responderam que preferiam gay.
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A cara da psicóloga quando eu respondi - Dá-me dôs! à pergunta - A senhora marcou a opção (x)sim, aceito com HIV, está correto? na papelada de adoção, foi hilária. Era um misto de não tô entendo com explique melhor esse sárcasmo no seu olhar e na sua voz, cara candidata a mãe.
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Muito simples, senhora psicóloga, HIV não tem cura, mas não restringe a vida do peãozinho (ou da família), incluindo aí a sua total independência para fazer o que bem quiser sozinho. Correr, jogar bola, nadar, pegar a mulherada (ou o macharedo, se ele preferir).
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Daí tive que explicar ao meu querido colega que das doenças incuráveis, pra mim, a dependência química é a pior e mais degradante. E a gente nunca sabe quando ou se essa pré-disposição genética vai aflorar. Já o homossexualismo, que não é doença, traria para a minha vida a única preocupação de me controlar pra não manifestar minha vontade de ir as festinhas junto com ele. Por que mãe não vai à festa de filho.
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E hoje na sessão com a médica-da-cabeça, enquanto ela tentava sem sucesso colocar na minha cabeça que essa questão das doenças mentais nas crianças era complicado, por que eles testam os limites a todo segundo (e se for only this, uma conversinha mais íntima com o senhor chinelo vai resolver, mas se for uma personalidade com tendência a depressão -ainda que leve - por exemplo, palmada vai piorar); eu respondia que me conhecia muito bem e isso não me preocupava. Ela replicava que não me conheço como mãe, e eu respondia que me conheço do avesso como cerumano. E se tem uma coisa que aprendi a fazer bem direitinho é impor limites.
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Lá em casa a conversa mais íntima com o senhor chinelo vai ser o último recurso, talvez nunca seja utilizado. Por que meu filho (ou filha) vai ser absurdamente muito amado, portanto, o egoísmo vai passar longe da sua vidinha. Ele não vai querer experimentar substâncias letais e machucar a mamãe, que fez o diabo para tê-lo e criá-lo sozinha com tanto sacrifício, tanto amor e tanta devoção, não é mesmo!?
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- HAHAHA, então podes ficar tranquila, que teu filho não vai se drogar.
- Por que vou ser uma mãe judia?
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Culpa, senhoras e senhores da pláteia, culpa resolve muita coisa. Mas atenção: essa chantagem emocional tem que ser usada comedidamente, e só em casos de vida ou morte. Ou corre-se o risco de modelar um adulto frustrado. E a gente não precisa de mais adultos frustrados no mundo.
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O certo é que vou me preocupar com o assunto drogas todos os dias, depois de ser mãe, até um de nós dois morrer.

sexta-feira, julho 9

Você já se viu através do olhar da pessoa que você se tornou?

Entre o observador e o observado há um oceano de condições diferentes e estranhas entre si. Aquele que olha é soberano, dono do olhar e dono da direção e da intensidade do olhar. Aquele que é visto fica na dependência da decisão do observador de olhá-lo e da direção que este olhar vai tomar.
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O olhar e o ser visto depende da forma de percepção, especialmente daquele que tem que captar e interpretar o olhar que recebeu, que normalmente não leva em conta o imprevisível e o faz com base nas suas experiências passadas.
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É preciso cultivar o olhar de estranhamento que nunca parte daquilo que está posto como natural e sempre busca compreender as manifestações no seu próprio processo de manifestar-se.
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Aprendemos olhando e damos retorno pelos nossos próprios olhos. E essa escolha implica necessariamente uma perda. Cada escolha implica necessariamente uma perda, inclusive o não escolher.
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O comportamento sexual tem origem nas suas experiências identificatórias. Em primeiro plano, de olhar, evidentemente na primeira infância. Depois vem o ouvir e então o tocar.
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O comportamento amoroso também é baseado fundamentalmente nas experiências identificatórias. Ainda na sala de parto, quando a mãe olha, com ou sem amor, para o produto do seu desejo sexual.
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Uma posição tomada por motivos afetivos, não há fundamentos racionais que demovan. O que vemos, e como reconhecemos o que vemos, se revestem sempre de componentes afetivos que constituem o olhar e que constituíram aquele primeiro olhar recebido ao nascer.
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A formação do "eu" depende fundamentalmente de um processo ligado à constituição da imagem do próprio corpo. Mas a primeira imagem (no espelho) como unidade global unificada é visual, totalmente visual.
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E eu fico me perguntando, depois de já ter assimilado e compreendido e deglutido e tudo e tal as colocações acima, desde há muito, como se determina qual é a natureza do cidadão (pelo espelho do pai): pela relação dos pais entre si ou pela relação do pai (o olhar) com ele?
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Um filho de pai que traí/traiu a mãe, pratica/praticava swing, trocou de casal e tudo e tal, sofre/sofreu com esta libertação sexual não tolerada abertamente pela sociedade? É possível esse filho perdoar a traíção que a mãe sofreu? Até quando ele vai ficar engatado no gozo e repetir o comportamento paterno?

terça-feira, junho 29

Por que não vendem simancol na fármacia, hein?

Algumas pessoas simplesmente não conseguem enxergar qual é o limite. E o que determina a cegueira é o egoísmo, vulgo, ter certeza de que o mundo gira em torno do seu umbigo. Claro, tudo muito bem disfarçado de preocupação, doação para com o outro, amor incondicional e carinho. E nessa do eu me permito falar por que te amo e quero o teu bem o conteúdo de fundo das colocações é sempre o bem estar do locutor-egoísta, que entende que a sua opinião/conselho/sugestão é o melhor e deve ser adotado. De tão egoísta e preocupado unicamente com a satisfação dos seus próprios sentimentos (tudo muito bem disfarçado, leitorzinho atento), o peão retira do suposto ser amado o direito de escolha. Aliás, o coidado não se dá a chance de se descobrir amado, por que manipula a relação em tempo integral. A esse tipo de comportamento dá-se o nome de perversão.

terça-feira, junho 15

Lorão, te dou só um cantinho lá em casa.

No domingo foi impossível assistir ao vivo a season premier, cujo link despencava sem parar e as pessoas nos chats tudo doidas. Vai daí que a pessoa desistiu depois de 20 minutos (saber esperar não é uma das minhas qualidades), baixou o episódio e assitiu bem felizinha na segunda-feira, em cima do lençol térmico.

Depois sonhou. A noite inteira. Com Mr. Northmann, claro. Era apaixonada pelo viking e tinha que desputá-lo com outras mil (oi?). Acordou assustada, com o coração acelerado e sensação de sufocamento. Aquela que é provocada pela ansiedade de não se saber correspondido quando a admiração é imensa. Aquela que te deixa com as pernas molinhas, o olho boiando e as mãos desconjuntadas que teimam em não parar em lugar nenhum. Aquela mesma sensação de sufocamento que nunca mais na vida eu vou me permitir sentir, por que o inconsciente vai ficar bem ali, subjulgado e amarrado, tendo como espacinho para respirar os sonhos e só.

e a gente insiste naquela coisa de insistir em discutir as mesmas coisas, milhões de vezes e de impor a nossa visão, milhões de vezes, sabendo, sempre, que é brincar de patinação no gelo em instalação indoor. que é uma brincadeira solitária para quem só pratica por hábito ou prazer e não para se preparar para as competições do mundo. e a gente brinca no gelo num fio de navalha, num espaço pequeno e desenha círculos nos mesmos lugares, e repete, repete, repete a mesma paisagem sem sol e sabe que cair é inevitável e DÓI e que é ainda mais solitário e que quando a gente se aproxima do chão, o frio de fora machuca dentro e vice-versa. mas ainda assim a gente brinca e ainda paga caro pela brincadeira.

terça-feira, junho 1

Das figuras geométricas de cada um

Eu não fecho mais triângulos. Nem inconscientemente. Um dos lados sempre termina arrebentado. Ou todos, a depender do nível de perversão psíquico. Só conheço um triângulo amoroso com potencialidades de dar certo e todo mundo ser feliz pra sempre. Um triângulo que pode se transformar em quadrado, hexágono ou nos Jolie-Pitt. Só quem tem uma mãe que sempre consegue amar mais um é que conhece a divisão que acrescenta.

Acho tão esquisito que hajam tão poucos estudos psicanalíticos a respeito das relações entre irmãos. É talvez o laço mais importante que criamos na vida em prol de nos tornarmos pessoas generosas. Ensina a perder sem diminuir o adversário, a ganhar sem tribudiar sobre o adversário, a abrir mão para ganhar e a disputar para perder. Ensina a lidar com a inveja quando ela vem junto com amor no peito de quem sente e no peito de quem é atingido por ela. Ensina a lidar com a competitividade quando ela vem junto com amor no peito de quem começa a disputa e de quem termina com ela. O relacionamento entre irmãos ensina o peão a conviver e a amar o diferente antes mesmo de ele se saber gente.

segunda-feira, maio 31

Eu sei, jogos de amor são pra se jogar...

No misterioso mundo heterossexual as mulheres jogam com o desejo masculino brincando de mostrar e esconder, de oferecer e retirar a oferta. Eu não sei jogar. O que eu sei é expressar o meu desejo o tempo inteiro, para qualquer pessoa e em qualquer circunstância. Se gosto, gosto. Se não gosto, não gosto. Se não quero, não quero. Não tem média luz, médias palavras, média expressão de olhar. E se tem tesão, tem muito. Quero mais é que ele seja satisfeito, re-feito, que o outro se aproveite e faça também de mim seu depósito de satisfação. É preciso se conhecer para conseguir se abandonar no outro. Mas quem disse que o blefador consegue lidar com a dureza da entrega do outro?

terça-feira, maio 18

Coisas que a vida ensina

Quando a esmola é demais, o diabo, este ancião, sabe que há algo de podre no reino projetado do desejo. Nem que seja pequenininho, podrinho. Mas que tem, tem. E não adianta perder tempo querendo se fazer de galinha morta.

terça-feira, maio 11

Faísca nem tão atrasada assim...

Terminada a sessão, ambas dirigindo-se à porta de saída, a paciênte dando-se conta do figurido do dia e da altura do salto:

- Ah, hoje eu estou do teu tamanho, bem grande.
- Sim, tu estás muito bem.

Já no elevador, a paciênte deu meia volta e tornou a bater na porta:

- Ana, tirando toda a papagaiada da transferência/desejo infantil das filhas de se tornarem parecidas com as mães, a comparação com o teu tamanho é significante ou significado?
- Até a semana que vem, Rose
. Respondeu a médica-da-cabeça sorrindo, com a boca e com os imensos olhos azuis.